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zeitgeistquinta-feira, 16 de julho de 2026

Vinicius Leal2 min de leitura

Ou "a direção do zeitgeist na era da IA": quem decide para onde sopra o vento quando as máquinas também sopram?

Toda época tem um vento. Chame de zeitgeist: a direção invisível para a qual apontam os gostos, as ambições e as certezas de uma geração. Ninguém o controla, todos o sentem. A pergunta de cada época é a mesma: quem está soprando?

Já foi Deus — o espírito do tempo como providência, a história com roteiro. Depois foi o mercado — o gosto como curva de demanda, a cultura como subproduto do que vende. Agora, cada vez mais, é o modelo: uma máquina treinada com o ontem inteiro para prever o amanhã que vamos querer.

O vento e o moinho

O zeitgeist sempre foi uma média. O espírito de uma época não é o que ela tem de melhor — é o que ela tem de mais comum. A diferença é que antes a média se formava devagar, em praças e redações, e agora se forma em tempo real, em métricas de engajamento. O moinho aprendeu a girar sozinho.

Há uma cadeia invisível por trás desse vento: quem escolhe os dados, quem treina, quem define o que conta como sucesso. Nenhum deles é malvado; quase todos estão apenas otimizando. Mas a soma de mil otimizações inocentes é uma direção que ninguém escolheu — e que todos seguimos como se fosse espontânea.

Quem escreve o espírito do tempo

Antes, o zeitgeist era escrito por muita gente com um pouco de poder cada: editores, curadores, professores, o vizinho que falava alto. Hoje ele é escrito por pouquíssima gente com muito poder cada — e por sistemas que ninguém elegeu, ajustados para nos dar mais do que já provamos querer.

O zeitgeist sempre foi médio por definição. A novidade é que agora ele tem chave de API.

Remar contra o vento

O que sobra de agência? Mais do que parece. Gosto é decisão; juízo é exercício; lentidão é uma forma de desobediência. O vento sopra para todos, mas ninguém é obrigado a velejar na direção dele o tempo inteiro. Às vezes, a única posição digna é a de moinho parado: observar o vento, entender de onde vem — e só então decidir se vale a pena abrir as velas.

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9 de jul. de 2026

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